#GPM NO ATACAMA: PERRENGUES

Se tu leste a nossa série no Atacama, tu já sabes que é uma trip LOTADA de perrengues e estava esperando por esse post pra conhecer os detalhes obscuros dessa história tão linda. Se não estás entendendo nada, clica aqui e dá uma espiadinha em todo o conteúdo que postamos sobre a viagem – que foi ma-ra-vi-lho-sa.

Tudo começou antes mesmo da viagem: a LATAM, mais uma vez, sendo a LATAM. Tivemos um problemão com a passagem: alguns dias antes, fomos informados que um dos vôos da nossa conexão estava com o horário errado e, claro, perderíamos o próximo. A sacanagem maior foi que ninguém conseguia resolver o problema pra gente, estávamos em Bento Gonçalves (tem posts contando tudo aqui) e perdemos um tempão ligando para a companhia TODOS os dias. “Sabemos da situação, estou aguardando resposta de meu superior” – um pesadelo. Mas aos 45 do segundo tempo, ainda bem, conseguiram ajeitar nossos vôos e pudemos partir e curtir todo o prazer das intensas turbulências que ocorrem ao cruzar os Andes.

No aeroporto, quando fomos despachar as malas, algo curioso: fomos informados que nossa bagagem iria direto à Calama (nosso vôo era POA-SP, SP-SANTIAGO, SANTIAGO-CALAMA), sem necessidade de passar pela alfândega com elas. Perguntei três vezes e ouvi três vezes a mesma resposta: não retirar a mala em Santiago. Todavia, quando chegamos lá, antes de sairmos para o passeio, achamos melhor perguntar por via das dúvidas. Dito e feito: a informação estava errada. E não só os atendentes da LATAM foram extremamente grosseiros/agressivos conosco de uma forma que nunca vi na vida, como ficamos em torno de uma hora no aeroporto tentando resolver a situação. Finalmente, alguém conseguiu nos levar de volta à retirada de bagagens e passamos pelo controle mais uma vez.

Malas redespachadas, hora de curtir. Ninguém nos contou que o ônibus que pegaríamos para o centro da cidade estaria não apenas lotado, como deixariam entrar todo mundo até que todos ficassem bem espremidinhos no corredor do veículo. Eu sentei no chão, bem ao fundo, com dezenas de pessoas em cima de mim e toda aquela catinga. Top!

Na volta pro aeroporto deu tudo certo, nosso vôo foi excelente e no desembarque o motorista nos esperava com plaquinha e um sorriso. Mas na hora de chegar no hotel: aquele mato. E eu JURO que vi uma cobra no caminho, mas acho que foi o cansaço porque me disseram que lá não tem animais desse tipo – e nenhum perigoso, por sinal. Fomos caminhando no escuro, nos apaixonamos por aquele céu lindo e pelo quarto aconchegante e o perrengue veio só na hora de dormir, quando tudo ficou em silêncio e só o que conseguíamos ouvir eram os insetos no nosso teto rústico. Deu um certo desconforto, mas foi ideal pra dar o tom da viagem e logo eu estava rindo da situação.

O hotel, como contamos aqui, ficava distante do centro, do outro lado do rio. Ele estava sempre seco, mas na segunda noite teve uma chuvarada e ele ficou cheio. Voltamos à noite exaustos após o passeio ao Valle de la Luna, com as nossas lanterninhas na cabeça (não rola nada de iluminação por lá), e nos deparamos com o rio cheio. E adivinha? Sem ponte. Tivemos que tirar os sapatos, levantar as calças e agarrar as mochilas e sacolas pra enfrentar as águas. O problema é que estava forte e o chão era cheio de pedras escorregadias – imagina se eu não escorreguei e me sujei inteira? Pés machucados, uma sujeirada, sem ver nada pela frente: eu chorava e ria ao mesmo tempo.

Meus tênis obviamente não secaram a tempo para o passeio que fizemos no dia seguinte, saindo no meio da madrugada. A host do hotel, super querida, me emprestou as botinhas dela para eu poder curtir o dia, mas o problema foi a agência que nos levaria aos géiseres: acordamos super cedo e nada deles. Mais de duas horas se passaram e NADA. Ligávamos pra eles e NADA. Meu namorado foi até o Rio ver se encontrava alguma informação e, pasmem, a van atolou onde na noite anterior eu havia vivido o meu pesadelo. Ninguém conseguia tirar eles de lá. No fim, os bombeiros vieram nos socorrer e tive a minha primeira experiência andando no caminhão vermelhinho. Achei incrível, os perrengues rendem as melhores histórias.

Depois do post sobre as hospedagens em Uyuni, acho que nem preciso falar do tour, certo? Os refúgios eram sinistros e tive que ter muita mente aberta pra abstrair e curtir. Mas olha, vale a pena. Tendo um saco de dormir e lencinhos umedecidos pra limpar a privada, mesmo as fresquinhas que nem eu sobrevivem bem. Chegamos sempre tão cansadostaque dá pra dormir em qualquer lugar! Mas alguns perrengues em especial gostaria de destacar para vocês:

  • Quando o banheiro estava fedido demais a ponto de não poder usar e eu ter que fazer as necessidades na rua. Bunda pra lua dá boa sorte, azar mesmo é começar a ouvir uma conversa do teu lado. Meu namorado, que estava com o papel higiênico, se deu conta e foi falar com eles para disfarçar – ainda bem que eu tinha meus lencinhos.
  • As portas do quarto sem tranca: fundamental ter cadeado pra todas as malas e bolsas nessas horas.
  • O piso de sal no segundo refúgio, que tornou bem difícil o processo de dormir sem aquela sensação de areia na cama.
  • A falta de energia elétrica para carregar a câmera X todos aqueles lugares maravilhosos para tirar fotos.
  • A falta de banho/geleira da água que fizeram com que na primeira noite eu escovasse os dentes com água mineral.
  • O terceiro refúgio que foi um verdadeiro pesadelo: feio, escuro, com cara de perigoso… o colchão tinha um buraco enorme no meio e a barriga/costas afundavam. Trocamos de quarto e a minha cama ficava inclinada – acordei no meio da noite me sentindo mal com a sensação de estar plantando bananeira – os pés ficavam mais altos que a cabeça.

Em suma, perrengue não faltou, mas já aprendemos aqui no blog que viagem boa é assim mesmo! E tu, que histórias tens pra compartilhar conosco? Não esquece de deixar teu comentário, te inscrever no blog e nos seguir nas nossas redes sociais que todo dia tem conteúdo novo. Vem te aventurar com a gente! 🙂

 

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