#GPM NO ATACAMA: DICAS GERAIS

Este é o segundo post da série Atacama/Uyuni. Para ler os demais, clique aqui e acesse o índice com todos os posts já publicados.

A viagem, como dito ali em cima, foi uma combinação de dois destinos: Chile e Bolívia. Começamos com uma rápida parada em Santiago, voamos até Calama, passamos três noites em San Pedro de Atacama e fizemos a travessia até Uyuni em três dias + 1 dia de retorno a San Pedro.

A viagem que fizemos foi total de aventura, sendo o nível dela crescente. San Pedro, apesar de super rústico, foi o destino mais desenvolvido. Lá dá pra tomar banho quente, dormir em camas confortáveis, comer em bons restaurantes e escolher programações a cada dia. É bem mais democrático.

Já a travessia a Uyuni, que é totalmente opcional, é perrengue puro, mas paga a beleza dos lugares que a gente visita. O tour pode ser iniciado em San Pedro ou em Uyuni e durar 2 ou 3 noites dependendo da preferência (ir de um destino ao outro ou fazer a volta completa).

Separamos então algumas dicas mais gerais pra ajudar quem está com vontade de fazer essa trip, esperamos que gostem e nos contatem caso surja qualquer dúvida. Ah! Não deixem de conferir a continuação: nas próximas várias sextas-feiras, a nossa viagem completa aqui no blog para ajudar vocês a fazerem as escolhas mais assertivas!

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Quem vai aproveitar essa viagem? Todo mundo que curte lindas paisagens, natureza e consegue tolerar boas horas dentro do carro, alguns belos perrengues e tem bastante disposição. Ou seja, não é, em geral, uma viagem para crianças e nem para quem é super dependente de civilização. Aqui, vale dizer que a maioria do pessoal que nós conhecemos por lá não jovens (entre 20 e 35 anos) e viajam em casal, ou em grupo de amigos. A nacionalidade varia, mas a Europa estava em peso (talvez pela época do ano), principalmente os franceses, alemães e suiços, assim como encontramos vários brasileiros e chilenos pelo caminho. Quem quer fazer uma viagem diferentona mas ainda não se sente à vontade para mergulhar num  nível hard, pode ir sem problemas a San Pedro e fazer todos os passeios durante o dia, voltando pro hotel limpinho e confortável à noite – vale super a pena também.

Como funciona o visto? Brasileiros não precisam solicitar visto para entrar em nenhum dos dois países e nem precisam viajar com o passaporte, mas acho mais seguro do que a carteira de identidade (quem não gosta de um passaporte todo carimbado?). O visto é dado na entrada do país e é gratuito (apesar de os bolivianos tentarem cobrar um taxa sacana – mais detalhes no post sobre perrengues) para várias nacionalidades, inclusive brasileira e as europeias. Caso não seja o seu caso, faça uma consulta rápida no google para ter certeza da sua situação. Importantíssimo: não jogue fora o papel que receberes no Chile, é preciso devolvê-lo na saída.

Como é a viagem até lá? Normalmente a forma mais confortável é voando até Calama e de lá pegando um transfer até San Pedro de Atacama que dura em torno de 50 minutos. Nós agendamos com a Transvip (é preciso reservar uns dias antes) e foi ótimo! 12.000 pesos chilenos (+- 60 reais) por pessoa a ida e 20.000 se quiser já marcar ida e volta. De Porto Alegre, fizemos escala em São Paulo e Santiago, o que tornou a viagem bem mais longa apesar da proximidade.

Qual o melhor lugar para sentar no avião? Em termos de vista, recomendamos as janelas do lado direito na ida e esquerdo, na volta. Precisamos avisar que a passagem pelos Andes é linda, mas pode ter bastante turbulência.

Quando fazer a reserva dos passeios? Lá, sempre. O próprio tour para Uyuni nós agendamos lá no dia anterior. Na Caracoles (a rua principal de San Pedro) tem inúmeras agências e todas elas oferecem praticamente os mesmos tours, sendo a maioria deles de manhã (saída entre 4 e 5 da manhã e retorno no início da tarde), um ou outro no final da tarde (16h-20h30) e o tour astronômico à noite (que é bom ser agendado com antecedência especialmente se houver necessidade de ser em inglês). Ainda, é possível fazer os passeios em San Pedro por conta, seja de carro ou de bicicleta.

Como fazer com o dinheiro? Fora alguns restaurantes, a maioria aceita pagamento só no dinheiro (inclusive o hotel), então é bom estar bem organizado/informado. No Chile, a gente paga com pesos chilenos (a conversão fica em torno de 200 pesos para R$ 1), enquanto na Bolívia, bolivianos (2000 para 1). Quem for fazer o trajeto como o nosso, recomendo levar pesos chilenos daqui ou sacar em Santiago (150.000 pesos por vez + taxa). É possível retirar dinheiro em San Pedro (mas ouvimos dizer que não é seguro, apesar de não termos tido problema) e fazer a conversão para bolivianos (passear um pouco nas casas de câmbio para encontrar o melhor valor). Não é necessário ter muitos bolivianos – a menos que tenhas a intenção de fazer muitas compras típicas (veja no post do terceiro dia de Uyuni).

Quanto custam os passeios? É possível negociar com as agências, mas em geral os mais baratos saem por 8.000 pesos chilenos (algo em torno de 40 reais) e os mais caros, 50.000 (+- 250 reais) por pessoa, alguns incluem snacks e outros não. Quanto à travessia, paga-se entre 90.000 e 130.000 por pessoa com tudo incluído (hospedagem, 4 refeições diárias, transporte, guia) para quatro dias. Em quase todos os passeios que fizemos ainda foi preciso pagar o ingresso para os parques nacionais (3.000 chilenos para o Valle de la Luna e 150.000 bolivianos para o Uyuni).

Quanto custa a alimentação? Varia de restaurante para restaurante – apesar de quase todos eles servirem o mesmo cardápio -, mas para vocês terem uma ideia é comum encontrar pratos (bem servidos) por 5-7.000 pesos. Conhecemos várias pessoas que viajaram com um orçamento menor e cozinharam no hostel.

Quanto custa a hospedagem? San Pedro, como já disse, é democrática e vai ser possível encontrar vários preços pela estadia. Há hotéis mais luxuosos por preços que não me atreveria a falar, mas também pode-se encontrar opções muito bacanas por preços intermediários e outras mais simples pra quem viaja com low budget. Quanto à travessia, o valor já está incluso mas pode-se pagar mais caro para ter o quarto/banheiro privado (pagamos cerca de 140.000 bolivianos pela última noite).

Onde se hospedar no Atacama? Vai depender muito do perfil e tipo de viagem. Nos primeiros dias, nós nos hospedamos no Eco Lodge El Andinista, que ficava distante do centro e era preciso atravessar o rio para chegar. Em compensação, da pra ver todas as estrelas e ouvir o silêncio tão gostoso e propício em uma viagem assim. No retorno, dormimos na Caracoles, no centro, e foi ótimo pois tínhamos menos tempo disponível e assim pudemos aproveitar melhor o dia sem estresses. No final da maratona Atacama/Uyuni, haverá um post contando mais detalhes sobre as hospedagens. Nós recomendamos o booking.com por ser super seguro e fácil de achar o lugar perfeito pra ti, além de rolar um super descontinho quando agendado através do nosso link exclusivamente: clique aqui, encontre seu hotel, faça a reserva e receba R$40 de volta no seu cartão de crédito após a estadia. Nós fizemos todas as reservas (e várias alterações) por lá e foi ótimo!

Como funciona a travessia à Uyuni? Ela é feita por uma agência que agrupa até seis pessoas por carro e fazem o passeio inteiro juntas, inclusive dividem o quarto. São 3 ou 4 dias dirigindo a lugares incríveis e muito diversificados entre si e em comparação a qualquer outra coisa que eu já tenha visto. As hospedagens são extremamente simples, assim como a alimentação. O banho é escasso e a energia elétrica também, faz parte de uma experiência inesquecível. A gente quase não vê sinais de civilização, é um enorme espaço cru, cheio de vulcões, montanhas, cores, lagos e lhamas.

Como escolher a agência? No feeling. E pra ser sincera, eu nem sei bem que diferença faz já que aparentemente eles agrupam o pessoal de diferentes agências quando o número é insuficiente. Nós fechamos com a Tani Tani Traveller, viajamos com a Lithium e em Uyuni trocamos novamente para uma terceira que eu nem entendi qual era. O que nos fez optar pela Tani Tani foi o nossa impressão e também o fato de o dono ter nos falado sobre algo que já tínhamos lido bastante e era minha preocupação master: que os motoristas em geral tem o hábito de beber durante o percurso mas que os deles eram terminantemente proibidos de o fazerem. Na Cordilheira (agência mais indicada), quando tocamos no assunto, o cara tentou se esquivar e ficou nervoso. É um passeio no meio do nada, sem estradas e pra mim era fundamental me sentir suficientemente segura. Tivemos muita sorte com o nosso guia principal, o Einar, que foi um querido, discreto e solícito, dirigiu preventivamente ao longo de toda a viagem. Eu sinceramente curti muito, até em função das minhas péssimas expectativas a partir de todos os blogs que eu tinha lido antes.

É melhor começar a travessia por Uyuni ou por San Pedro? Nós optamos por San Pedro porque queríamos ter tempo para escolher a agência que faria o passeio e testá-la antes, considerando que as agências chilenas têm melhor fama que as bolivianas. E foi ótimo! Nossa aventura se deu de forma crescente e pra quem não é muito habituado a passar tanto perrengue, acho uma boa. Uma outra característica é a altitude: o dia mais alto é o primeiro para quem sai do Atacama, chegando aos 5.000 metros a cima do nível do mar. Há quem diga que é melhor fazer o contrário, mas iniciar no ápice teve um lado positivo: sabíamos que dali só melhoraria. Ainda, tivemos tempo para nos testar nos passeios de San Pedro (os Geysers del Tatio são uma ótima pedida nesse sentido) e aprendermos sobre o nosso corpo na altitude, avaliando a necessidade de comprar ou não remédios. Começando pela Bolívia, o tour sai mais em conta.

Quais as diferenças do tour de 3 e 4 dias? Fora o fato de ter que dormir em mais um refúgio, o tour de 4 dias é a melhor pedida na minha opinião por duas razões: 1) Uyuni não é muito interessante e não faz sentido passar a noite lá e 2) a volta é bem mais prazeirosa quando a gente tem boa companhia e vai fazendo paradas, em comparação às quatro horas fechada em um ônibus. A única razão que eu vejo para terminar o tour no terceiro dia é caso a viagem siga para um terceiro destino, como La Paz, ou se houver iniciado em Uyuni e for ficar em San Pedro.

Como lidar com a altitude? Há pessoas que sofrem mais e menos e, quanto mais velho, pior fica. Eu não tive grandes problemas, apenas no primeiro dia fiquei um pouco cansada e tive pequenas tonturas. Deitar não ajuda em nada, pelo contrário, a melhor dica é se movimentar principalmente no dia da chegada, andando sem pressa e respirando fundo. Tome muita, muita água, não se alimente de forma muito pesada e tenha consigo folhas de coca. É só colocar um punhado na boca, umedecer-las com a própria saliva e formar uma bolinha a ser depositada entre a bochecha e os últimos dentes, deixando repousar por alguns minutos. Tem gostinho de chá e te deixa bem ligado, ajudando também com o enjôo. Se os sintomas ficarem mais intensos, há remedinhos que podem ajudar (no meu caso, tomei Tylenol, mas converse com o seu médico antes de ir) e de forma alguma entre nas águas termais: a troca de temperatura e calor excessivo aumentam o mal estar. As farmácias não vendem medicação sem receita.

O que devo levar pra travessia? O mínimo possível e uma boa mochila para os passeios.

  • Roupas: Fomos no verão e a temperatura variou horrores – recomendo levar camadas de roupa para o melhor efeito cebola (tirando/colocando ao longo do dia). É importante ter uma calça jeans, um short, uma camiseta por dia, um casaco mais leve e outro mais quentinho (que seja contra o vento), várias meias, tênis e chinelo (principalmente para tomar banho). Não esqueça do boné (nos queimamos bonito) e de uma manta/lenço. É bom levar roupa de banho já que rolam algumas paradas em piscinas naturais. Absolutamente não leve salto alto. No inverno, adaptem tudo a temperaturas super negativas!
  • Eletrônicos: câmera fotográfica, carregadores, bateria extra (FUNDAMENTAL!), cartões de memória, power bank pro celular.
  • Comidas: apesar de as refeições estarem incluídas, vocês verão ao longo dos posts que elas são bem básicas. Quem é mais seletivo, talvez queira levar a sua própria opção. Sugiro também alguns snacks para comer entre refeições, apesar de não ter havido muita necessidade no nosso caso. Vai dos hábitos alimentares de cada um! E caso seja vegetariano, mencione na agência.
  • Remédios: aconselho conversar com o seu médico antes da viagem e montar um kit de emergência já que lá o acesso é bem complicado. Levei um antialérgico (tem vários insetos em San Pedro e muita poeira), paracetamol, curativos, remédio para enjôo e problemas intestinais (não tive nenhum problema, mas quem é mais sensível pode sofrer com a altitude e com a alimentação diferente).
  •  Outros: saco de dormir (ESSENCIAL! As camas são nojentas), travesseiro é uma boa, protetor solar (graças à altitude, queima muito), um galão de água por pessoa, toalha, saco plástico para a roupa molhada, papel higiênico, lanterna (levamos as de cabeça), lenço humedecido, artigos de higiene (incluindo sabonete, shampoo, etc em pequenas embalagens) álcool gel, folhas de coca (pode-se comprar em San Pedro), alguns pesos bolivianos para fazer compras de artesanato e para a parada em Uyuni, cadeados para todas as malas/mochilas. Os refúgios não proporcionam nada fora as (terríveis) roupas de cama e travesseiros, então esteja preparado conforme o seu nível de exigência. Passei muito frio à noite e era verão.

Falar espanhol é fundamental? Meu espanhol é terrível, mas eu me viro e ajudou muito. O pessoal está acostumadíssimo com turistas e muitos falam inglês o suficiente, mas ter um mínimo de conhecimento é, sim, fundamental. A boa nova é que o espanhol na Bolívia é muito limpo, poucas gírias e não muito rápido.

Devo fazer um seguro saúde para a viagem? Sim, sim, sim, sim. Claro! Especialmente em viagens de aventura, é essencial ter um bom seguro. No nosso caso, felizmente os perrengues não foram suficientes para nos levar para o hospital, mas nunca se sabe.

Nas próximas sextas-feiras, vamos detalhar nossa viagem dia-à-dia e várias outras dicas vão estar disponíveis para vocês, assim como as fotos MA-RA-VI-LHO-SAS pra dar um gostinho do que nos espera por lá. Não percam! É só se inscrever lá em cima no canto direito do site pra receber um email cada vez que houver post novo.

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10 comentários sobre “#GPM NO ATACAMA: DICAS GERAIS

  1. Letícia disse:

    oi Carol, vou pro atacama em outubro e estou adorando as dicas. vocês gostaram da TaniTani? fiz um orçamento com eles e achei os preços mt bons, mas tenho medo de ser furada hahaha

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    • Carol disse:

      Oi Letícia, a minha recomendação é fechar lá mesmo! Normalmente é mais barato (dá pra negociar muito!), corre menos riscos e ainda dá pra ter um feeling do pessoal. Pra te ser bem sincera, eu acho que não faz uma diferença enorme porque eles acabam juntando o pessoal de diferentes empresas e pro passeio de Uyuni quem fica mais responsável é a agência da Bolívia. Fora alguns atrasos, nós só tivemos experiências boas – principalmente comparadas ao terrorismo que lemos por aí… Se ainda assim ficar com dúvidas, me escreve!

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