SOBRE IR EMBORA

Era uma vez uma guria, caçula entre quatro e filha de pais corujas. Aqueles que se preocupam com os mínimos detalhes. Cuidadosos e cautelosos eles checam, verificam, analisam todas as situações. A Gabriela, por outro lado, é avoada que só ela: “Esqueceu a chave de novo?” “Como tu sai sem identidade?” “Multa falando no celular?” “Vai sair sem casaco?” “E a bagunça desse quarto?”

Ela é movimento, inquietação, intuição aguçada. Deixa tudo pro último minuto e tem uma fé enorme de que uma hora ou outra tudo vai dar certo. Crítica, questionadora, sonhadora. Gosta de ser passarinha, mas nunca tão distante assim – família é o mais importante pra ela.

Começou a cursar Direito porque queria “fazer justiça”. Justiça? Dois estágios depois, percebeu que a história não era bem assim.  A troca para a Psicologia não foi fácil, numa família conservadora as mudanças são complicadas. Mas a teimosa bateu o pé e ganhou um valioso presente da graduação: autoconhecimento.

Saiu do estágio curricular aos 45 do segundo tempo. Correu o risco de não se formar por causa disso. Finalizou as horas complementares na última semana, trancou a faculdade pra fazer um intercâmbio que a desacomodou totalmente e quebrou padrões. Ainda assim, conquistou a Láurea Acadêmica – diploma de excelência no desempenho acadêmico.

O pós-intercâmbio foi sofrido. Houve comparações que perduraram – passou a valorizar muitos aspectos do seu país, mas a se decepcionar com tantos outros. Direcionou a carreira para uma área totalmente diferente, em busca de adaptar trabalho com a paixão por viajar. Em meio a tantas reflexões, decidiu ir embora do Brasil – Não. foi. uma. decisão. fácil.

A Gabriela quer andar na rua sem preocupação; quer segurança, equilíbrio entre responsabilidades e lazer. Quer constantemente se encantar com o diferente, conhecer novas histórias. Mergulhar em outras culturas. Quer aprendizado, evolução. Transcendência. Ela bem sabe que lá fora também tem suas deficiências e que fazer escolhas implica em abrir mão de certas coisas em prol de outras, já que a perfeição não existe. Mas existe aquilo que a gente tolera, que pesa mais, ou menos. Que compensa, “apesar de”.

Parece tão óbvio: se algo incomoda, mude. Ah, mas as mudanças… as mudanças são um cutucão na zona de conforto. Elas desacomodam, doem. Mas pra ela não tem coisa mais dolorida do que viver uma vida inteira pensando no “e se”. Ser metade feliz, por medo de tentar ser inteiro. O comodismo é perigoso e a vida é fugaz, parceiro. E ela, a Gabriela, escolheu ir atrás do que faz o coração vibrar, levando na mala uma dose de coragem e a outra de saudade.

Família e amigos do coração: minha profunda gratidão por todo o suporte que tive nessa tomada de decisão. Não seria possível sem vocês. Tamo junto to the moon and back!

“A gente se questiona, a gente se culpa, a gente se angustia. Mas o destino, a vida e o peito às vezes pedem que a gente embarque. Alguns não vão. Mas nós, que fomos, viemos e iremos, não estamos livres do medo e de tantas fraquezas. Mas estamos para sempre livres do medo de nunca termos tentado. Keep walking.”

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