BRASIL X ALEMANHA NAS ARQUIBANCADAS

Se quando eu era adolescente, o futebol estava no centro dos meus interesses e emoções, o Inter não teria como não fazer parte da minha identidade. Hoje em dia não reconheço todos os jogadores em campo e nem passo dias chorando após uma derrota, mas ir ao estádio continua sendo um must nas minhas vindas ao Brasil. É que o Beira-Rio é minha casa e família a gente não abandona nunca. Fora que lá em Berlin tem bandeira na janela em dia de Inter e sempre rola umas tentativas de assistir ao jogo ou apelação pro aplicativo da Gaúcha (rádio local que transmite as partidas).

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Gigante da Beira-Rio

Agora, impossível mesmo é conhecer meu namorado e nunca ter visto ele checando o placar no celular. Não sei como ele encontra tantos jogos para acompanhar, mas está SEMPRE de olho nas tabelas e notícias. E, bom, não preciso dizer que ganhei um novo time: o Eintracht Braunschweig, minha primeira vivência na segunda divisão – olha o destino aí pregando peças e me acostumando pra enfrentar 2017 de cabeça erguida.

Depois de alguns anos de experiência, indo a jogos em casa e fora – de primeira e segunda divisão -, baixando uma variedade de aplicativos e acompanhando – sim – os resultados, posso começar a comparar o futebol aqui e lá. Calma aí, não tecnicamente hehe! Vamos falar de cultura.

Pra mim, a maior diferença se dá no fato de os times serem por cidade. Mesmo que não seja regra torcer para o time de onde se mora, a rivalidade que a gente tá acostumado no Brasil não rola lá do mesmo jeito. Não que não tenha rivalidade forte, mas ela se dá entre cidades diferentes – o que não permite o grenal do colégio, por exemplo. Quando eu era fanática, a melhor (e também a pior) parte era ir pra aula no outro dia, discutir com os colegas que torciam pro rival. Provocações no futebol fazem parte do nosso dia-a-dia e, pelo menos aqui, uma torcida não vive sem a outra. Fico imaginando como teria sido ganhar um campeonato e não ter um amigo gremista pra ligar, ou vários pra me incomodar.

Um segundo ponto é a atmosfera: aqui é sempre uma zona. A gente já sente quando tá chegando: um monte de gente pintada, cantando desafinada, gritando incentivos. E quando perde, ai, ai, ai… No final é sempre a galera indignada comentando, botando até as tripas pra fora, mas se dando um abraço e dizendo que na semana que vem tá de volta. Ir ao estádio no Brasil é experimentar todas as possíveis emoções intensamente em um curto espaço de tempo.

Ir ao estádio é uma experiência agressiva socialmente aceita, a oportunidade perfeita pra extravasar e gritar todos os palavrões que ficaram entalados na garganta a semana inteira. A gente acha que é técnico, quer dar ordem pro juiz, chora, grita, comemora. Na Alemanha, não vejo tanta algazarra na rua e nem gente dando muito pitaco durante o jogo. Também não rola aquela cobrança nas arquibancadas pra que o pessoal cante, como acontece principalmente nas torcidas populares mais tradicionais aqui no Sul.

Lá, todas as torcidas cantam cânticos parecidos, normalmente de forma bem organizada e fazendo voz grossa. Não são letras muito elaboradas e nem longas como as daqui – o que pra mim é ótimo enquanto não falo alemão muito bem! -, mas é bonito de ver e dura os 90 minutos. Ah, fora que tem tipo um “líder de torcida” que fica bem na frente de costas para o campo com o microfone orientando a cantoria. O espetáculo ganha destaque com os tipos cachecóis, que servem não só pra aquecer mas fazem parte da coreografia.

No entanto, tem algumas coisas que só mudam de endereço: é atrás do gol (com os ingressos mais baratos) que as torcidas são sempre mais intensas, que a cantoria é constante, que a gente não senta. Aqui ou lá, as cadeiras são as cadeiras e a popular, a popular. 

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Torcida do Eintracht no pré-jogo – observe o cara com o microfone

Claro que há diferença de torcida pra torcida. Quando fui ver o Hertha Berlin jogar, por exemplo, o espetáculo não foi tão grande quando o do Eintracht – que são conhecidos por serem torcedores mais entusiasmados. Gosto de brincar que eles são a versão alemã do Brasil de Pelotas… Quem tiver a oportunidade de assisti-los, deve prestar atenção ao minuto 67 do jogo, quando a torcida SEMPRE lembra do título nacional conquistado em 1967. É de arrepiar!

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Foto: reprodução

Ah! Fica a dica: se no Brasil teve uma modinha forte de torcer pelo Bayern, lá acho que sentiriam pena. O estádio do Bayern foi carinhosamente apelidado de Arena dos Arrogantes (Allianz Arena – Arroganz Arena). São conhecidos por serem oportunistas e boring, sem sal – de forma que já vi gente dando mil explicações e tentando provar que entende alguma coisa de futebol quando diz que torce pro time, ficam sempre meio envergonhados. Tenso. O time legal de se torcer lá da primeira divisão é o Borussia Dortmund (que, por acaso, era o time que eu torcia na adolescência em função do Tinga, ídolo colorado).

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Foto: reprodução

Durante a Copa do Mundo, antes do Brasil e da Alemanha se enfrentarem, eu e meu namorado discutimos quem ganharia. Ele me fez a seguinte colocação: “acho que o Brasil, porque é paixão”, comparando com a organização da Alemanha. Não vamos entrar aqui no que é mais ou menos importante (a gente gosta do equilíbrio!), mas a comparação é totalmente válida e se traduz nas arquibancadas. Até o copinho da cerveja (SIM, o álcool é legalizado nos estádios alemães) é guardado e devolvido no final (provavelmente graças ao incentivo de receber 1 Euro por cada no retorno).

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Foto: reprodução

Quando à alimentação, esquece o cachorro quente cheio de recheios e molhos. Lá a pedida é normalmente “minimalista”, um pãozinho com linguiça e no máximo o molho de curry. Mas vamos combinar que a qualidade é bem melhor, assim como a da cerveja. O que deixa a desejar é o serviço: o Brasil dá de 10×0 nos alemães quando o assunto é mordomia (clique aqui para ler um post que fala um pouquinho mais sobre o tema)! Quando estou com fome ou quero repor a bebida, preciso perder uns minutos do jogo.

Se as vezes bate aquela saudade da loucura que é estar nos estádios brasileiros com aquela explosão de emoções durante o jogo e gargalhadas ao ouvir os comentários que sempre surgem no meu entorno, ah… coisa bem boa que é tomar um Glühwein (quentão) e comer currywurst naqueles dias mais frios, podendo pegar um trem tranquilamente pra ir e vir do estádio.

E aí, no campo foi 7×1, mas qual seria o placar de vocês para as arquibancadas?!

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