LIVING THE CALIFORNIA DREAM

No ano de 2013, quando eu ainda estava na faculdade, decidi passar um tempo fora do Brasil. Eu sempre tive curiosidade em conhecer os EUA e adquirir fluência no inglês era essencial para a concretização dos planos de carreira que eu tinha. Na época eu fazia aula particular de inglês – o que recomendo muito, porque rende bem mais do que nas turmas de cursinho. Foram 6 meses de planejamento, muita pesquisa e expectativas até finalmente embarcar. Pesquisei a fundo todas as agências de intercâmbio possíveis em Porto Alegre e conversei com todas pessoalmente. Escolhi ir para San Diego – Califórnia, pelo clima ser parecido com o nosso e por ter praia. Fui para ficar 3 meses, no período das minhas férias de verão. Os 3 meses acabaram virando 8 e eu tranquei a faculdade para continuar lá. Eu quis muito ter ficado mais tempo, mas voltei porque precisava finalizar a graduação.

Optei por viajar com a agência Calicultural Intercâmbio. Eles foram excepcionais no atendimento, me auxiliaram com visto, passagem, escola, moradia, dicas e me acompanharam durante todo o período fora. Quem está indo pela primeira vez, aconselho que seja por agência, já que não estamos acostumados a lidar com a papelada burocrática e assim nos sentimos mais seguros. Decidi ficar o primeiro mês em casa de família para realmente viver a cultura americana. Que baita decisão! No final das contas eu acabei ficando 3 meses com eles num bairro bem residencial antes de ir morar perto da praia. Eu criei um laço maravilhoso com a minha host family e nós temos contato até hoje! Quando voltei pra SD esse ano nós nos reencontramos. Conclusão: nem tudo que a gente planeja sai como o esperado. O intercâmbio nos surpreende em todos os sentidos.

Me lembro exatamente do dia em que eu embarquei. Dezembro de 2013.  Eu estava totalmente aberta para o novo, curiosa e destemida. Fui sozinha, sem conhecer ninguém, com uma vergonha tremenda de falar inglês. Eu tinha uma boa noção da língua, mas quando a aeromoça veio falar comigo no avião eu congelei – não conseguia nem falar o que eu queria comer. Com o tempo eu percebi que, nós brasileiros é que somos muito críticos. O americano não tá nem aí se a gente fala errado. Dica: se joguem! Não tenham medo de falar errado. É assim que a gente aprende.

Eu tinha aula de inglês todas as manhãs de segunda à quinta. A escola me proporcionou bastante aprendizado e muitos amigos de todos os lugares do mundo. Direto soava um alarme no meio da aula anunciando a reza muçulmana. Tem bastante árabe em SD e muitos deles são super devotos à sua religião. Eles costumam rezar 5 vezes ao dia em horários determinados.

Antes de bater o martelo com a escola, eu procurei no Facebook as pessoas que curtiram a página dela e fui perguntar sobre como era estudar lá. Também recomendo fazer isso gente, porque é uma garantia maior de que o investimento que vocês estão fazendo vai valer a pena.

San Diego tem bastante gente jovem, praias lindas, um pôr do sol encantador, um povo educado e receptivo. Depois de 3 meses em host family eu resolvi morar na praia, num bairro chamado Pacific Beach. A pé, eu chegava na praia em 20 minutos, de carro em 5 (mas era difícil para estacionar, então acabava demorando um pouco mais). O melhor mesmo era ir de bike. Em PB, como a gente carinhosamente apelidava Pacific Beach, a galera toda anda de bike.

Como era bom sair em PB despreocupada com o que eu estava vestindo. Em festas tinha gente até de chinelo e o melhor de tudo – ninguém ficava te olhando torto por isso. Ou até de biquíni, já que tinham festas que a galera ia depois da praia e ficava até mais tarde. Eu me sentia muito segura em SD. Quantas vezes eu peguei meu skate e saí a noite para andar na beira da praia escutando música… Que paz!

Em PB eu morava num condomínio com mais 5 gurias. Tive roommates de vários lugares do mundo, mas as que ficaram comigo por um período maior eram todas brasileiras, paulistas e cariocas. Morar com tanta gente assim é ótimo, mas requer bastante diálogo, paciência e organização. Criamos uma agenda onde cada semana uma ficava responsável por um cômodo da casa. Isso ajuda bastante! Mas com a louça era sujou, lavou. Nada mais justo, né? Por sorte, eu e as gurias demos muito certo juntas e somos amigas até hoje. Já fui visitar elas algumas vezes desde que voltei do intercâmbio. A nossa casa tinha um baita astral e a convivência com elas me dá muita saudade.

Fazer intercâmbio é lidar com um turbilhão de emoções. Tem um universo de alegrias, mas também alguns percalços pelo caminho. No meio da viagem eu acabei perdendo o meu passaporte. Me escabelei com aquela situação toda. Eu sabia que perder o documento mais importante em uma viagem significava ter que encarar uma bela burocracia. Entrei em contato com a agência e eles me ajudaram com tudo, me orientaram ir até o consulado em Los Angeles para fazer outro. A sorte é que eu tinha levado comigo na viagem alguns documentos que foram importantes para poder emitir outro. Por isso, levar documentos nunca é demais! Hoje a minha nova foto do passaporte é uma beleza – péssima qualidade porque eu tirei no Walmart, além de alguns bons kg a mais e a maior cara de choro.

A Califórnia conquistou o meu coração. A energia daquele lugar não tem explicação. Eu aprendi tanto, eu mudei tanto. Fiz amigos para a vida. Quebrei paradigmas. Me conheci muito mais. Percebi o quanto é bom estar frente ao diferente. O quanto é legal conhecer outra cultura. E que a gente é muito mais forte do que imagina. O meu objetivo de adquirir a fluência no inglês foi cumprido. Porém, o que estava por trás desse plano mudou. Toda a minha ideia de construção de carreira foi modificada, transformada, evoluída. E eu sou extremamente grata pela oportunidade de ter viajado, por tudo o que eu vivi. E por tudo o que eu sei que ainda viverei. Se eu pudesse resumir toda a minha vivência em poucas palavras eu diria: o intercâmbio me deu asas. E lá vou eu, de San Diego para o mundo.

(E levando vocês comigo!)

🙂

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Amyr Klink

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