ALÉM DO ÓBVIO

Quando começo a refletir sobre trabalho e as diversas pressões sociais das quais constantemente sofremos, é impossível não pensar sobre o nosso sistema educacional. Vivemos em uma sociedade em que a pedagogia tradicional nos ensina de forma incisiva que o professor é o detentor do saber e o aluno deve absorver todo o conhecimento transmitido por ele. Na medida em que se estimula a simples reprodução daquilo que foi ensinado, não há espaço para uma reflexão crítica e emancipatória. Que atire a primeira pedra quem não decorou toda a matéria na véspera da prova e na semana seguinte não se lembrava de mais nada do que tinha estudado.

Ao sair da escola, somos induzidos quase que instantaneamente a entrar numa faculdade, haja vista todo o foco que se dá para a prova do vestibular durante o Ensino Médio. Os jovens se veem obrigados a decidir por um curso do qual, muitas vezes, não têm ideia do que se trata. E lá se vai uma boa dose de testes vocacionais. Inúmeros são os trancamentos de matrículas e trocas para outro curso após a primeira “escolha” – aquela que aconteceu por livre e espontânea pressão.

Quando se finaliza a graduação, surge então um turbilhão de dúvidas. E agora, no que eu vou trabalhar? Preciso atuar na área em que eu estudei. Ah, e já tenho que procurar uma pós, porque os estudos estão apenas começando e meu currículo não vale nada se ficar assim. Mas será que esse caminho precisa ser tão linear? Será que não existem outros conhecimentos além dos formais que seriam válidos na construção de uma carreira? Precisamos mesmo investir em apenas uma área do conhecimento?

O imediatismo é característica marcante da nossa sociedade e talvez por isso nós entremos num ritmo automático em que não sobra espaço para a crítica. Seguimos em uma área de estudo que não é bem aquela que nos realiza, em uma rotina de trabalho que há tempos já não traz mais satisfação. Caímos na perigosa rede do comodismo e tememos a mudança. A grande questão é: Será mesmo que a gente deve se acostumar com o que não nos faz feliz?

Esses dias eu li uma frase que me marcou muito do livro Quando Nietzsche Chorou, que dizia “Amo aquilo que nos torna mais do que somos”. E quando me perguntam o que “eu vou fazer da vida”, é nisso que eu penso. Eu quero poder deitar todos os dias a cabeça no travesseiro e sentir que o trabalho exercido não carece de sentido pra mim.

Acredito que precisamos apertar o botão “slow motion” de vez em quando. Parar para se questionar mais. Nos ouvir um pouco mais. Buscar sentido nas nossas ações. Precisamos nos emancipar. Precisamos ir atrás dos nossos sonhos – sejam eles revolucionários ou os mais tradicionais possíveis.

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